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  • Angélica Carvalho

Nossa História de Adoção

Família Meireles




7 de Julho de 2020





Meu nome é Isabelle e sou casada com o Thiago desde dezembro de 2014. Antes mesmo de nos conhecermos o desejo de ter filhos por adoção já estava nos nossos corações. Logo nos primeiros meses de casamento começamos a planejar o momento de ter filho e decidimos que adotaríamos antes de ter um biológico. Começamos a buscar informações de como era o processo em Betim e passamos a estudar sobre. Foi em 2015, em um evento de Dia das Crianças, provido por nossa igreja, que tivemos a oportunidade de ir em uma Casa de Acolhimento na cidade vizinha. Nessa ação, fomos despertados sobre o perfil das crianças institucionalizadas. Então decidimos que queríamos adotar uma criança de até 10 anos que poderia ter irmão. Como tínhamos nem 1 ano de casados, decidimos esperar para iniciar o processo de habilitação. Foi em 3 de abril de 2017 que levamos nosso documento e ficha de cadastro a Vara da Infância de Betim. Naquele ano o curso de preparação eram encontros mensais, e logo no sábado seguinte teria. Fomos a reunião e no final abordamos a psicóloga para nos apresentar melhor e falar que tínhamos entregue nossa documentação e sobre nosso perfil. Naquele momento percebi que ela ficou surpresa com o nosso perfil. Mais rápido do que imaginávamos e até um pouco fora dos padrões, em abril de 2017 iniciou nossas entrevistas. Nesse meio do caminho, o GAABE (grupo de apoio à adoção de Betim), começou a ser organizado e esse contato nos fortaleceu (sou da diretoria).

Em maio de 2017 tivemos nossas entrevistas individual e em casal. No dia 18 de maio, chegamos para a reunião e tinha uma pessoa diferente, a psicóloga do abrigo. Na hora juntei os pontos e já imaginei que falariam de alguma criança. Dito e feito! Só que não era uma, mas sim TRÊS! Isso mesmo, três lindas crianças que fazem parte de um grupo de seis irmãos! Mas não pense que foi assim fácil concordar com um grupo de três. Como já contei, nosso objetivo era uma criança e caso tivesse um irmão aceitaríamos com alegria. As duas psicólogas foram muito sábias e não nos forçaram a nada, mas como nossos corações estavam muito abertos, concordando com a proposta de ir no sábado, 20 de maio, ao abrigo, conhecer as crianças. Nessa ida as crianças não ficariam sabendo da nossa intenção, apenas faríamos uma visita. Saímos do fórum com o coração ao mesmo tempo alegre e com medo! Três crianças de uma vez só pareciam irresponsabilidade e loucura. Como sustentaríamos? Como faríamos com o quarto (nosso apto era de 2 quartos)? E a escola? O sábado chegou. Diferente de muitas histórias de adoção, o nosso primeiro encontro não foi cheio de faíscas e conexões. Chegamos lá decididos que 3 era loucura. O Thiago foi excepcional nas mágicas e brincadeiras! As lembrancinhas que fiz os agradou muito. Nessa ida tentamos avaliar um pouco as nossas crianças. Voltamos para casa e nossa conversa foi basicamente buscando justificativas para dizer as psicólogas NÃO. Choramos muito, doía pensar que eles continuariam no abrigo. Doía imaginar que eles não experimentaram o verdadeiro amor em família. MAS DEUS TINHA OUTROS PLANOS PARA AS NOSSAS VIDAS! Em uma semana tudo mudou. Me emociono em lembrar que Deus agiu de uma maneira linda e surpreendente tratando nossos medos, inseguranças e dúvidas. Que pai não tem medo? Quantos casais eu conheço que ao receber o resultado do exame de gravidez surtam! Por quê seria diferente conosco? Não estou dizendo que não dá um frio na barriga, mas digo que nenhum medo é maior do que a minha convicção de que Deus nos escolheu para sermos pais do Wallace, André e Ketlen. Mais importante do que as faísca e conexões no primeiro encontro é ter certeza da vontade de Deus. A partir daí começamos a conviver com as crianças. No dia 24 de junho foi a primeira vez que as crianças

foram à nossa casa, passaram o dia conosco! Foi péssimo devolve-las ao abrigo. Na semana seguinte conseguimos apadrinha-las e a partir desse momento, todos os finais de semana seriam conosco! Mas as despedidas eram cheias de abraços e choros, regadas da esperança de que Deus muito em breve nos uniriam definitivamente. No 18 de agosto saiu a nossa habilitação! Agora sim poderíamos adotar! No dia 06 de setembro, por volta das 14:30 recebi uma das melhores ligações da minha vida! Fui informada que a guarda das crianças foi dada para nós! Eu fiquei tão surpresa que não sabia se chorava ou ria! Parecia que meu coração iria sair do peito! Já fui ligando para o Thiago, tremia tanto que mal conseguia discar. Seria a última vez que os buscaremos no abrigo! Agora é para sempre! Que emoção! Desde o dia 06 de setembro de 2017 as crianças vieram morando definitivamente conosco. O processo de adaptação posso dizer que foi tranquilo. Tem dia que a rotina é mais tranquila, mas tem dia que é uma loucura, mas que casa, não é?! Nosso processo de adoção demorou a correr e foi em 8 de maio de 2019 que Wallace, André e Ketlen passaram a ser legalmente nossos filhos. Ao longo desses anos, meu engajamento no GAABE foi só aumentando. Em 2019 organizei uma mega festa de Dia das Crianças para os abrigos, que incluía os adolescentes. O resultado foi melhor do que esperado. Tive uma reunião com a equipe técnica da casa das meninas adolescentes e nossos caminhos se cruzaram com o da Naiara. Nesse dia faltava 71 dias para ela ser desacolhida e ela não tinha absolutamente NADA e nem para onde ir. Iniciei no mesmo dia uma campanha para mobiliarmos a casa e nossa família apadrinharia ela. MAS NOVAMENTE DEUS TINHA OUTROS PLANOS PARA AS NOSSAS VIDAS! Desde o nosso primeiro encontro com a Naiara já sentimos algo diferente. Apesar de ter sito tudo muito rápido com ela, tivemos muita conversa e reflexão. O Wallace, André e Ketlen foram fundamentais para que ao invés de apadrinhar, nós adotaríamos a Naiara. Não acordei e decidir que mais uma menina linda prestes a completar 18 anos entraria nas nossas vidas. De repente ela já tinha entrado e conquistado o seu espaço, o seu cantinho. Quando menos esperei meus filhos, agora irmãos, já a chamavam de irmã. Todos nós já a queríamos

aqui o dia inteiro, no meio da nossa loucura, agitação e amor. Não sei dizer o momento exato que a Naiara se tornou minha filha, mas sei que nunca vai deixar de ser. Devido a pandemia ainda não correu o processo de adoção dela, mas desde 29 de novembro de 2019 (que é meu aniversário), ela veio morar definitivamente. Adotar uma adolescente é muito diferente de criança, pois tem aspectos específicos, mas é maravilhoso. Não podemos negar que a história pregressa dela é muito maior, mas estamos escrevendo um novo capítulo lindo cheio do amor. Curiosidades:

O Wallace, André e Ketlen tem 3 irmãos biológicos. O João (7 anos), Francisco (8 anos) e Emanuel (9 anos) e temos uma excelente relação com a família que os adotou. Passamos todas as datas comemorativas possíveis juntos. É uma extensão da nossa família. A Naiara tem dois irmãos que moram com a mãe biológica, e temos um relacionamento bom com eles (o que daria uma outra longa história).


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